Mineirinho combina manobras fortes e aéreos para vencer na Gold Coast

Jadson André vence a primeira bateria do ano, Medina machuca o joelho, mas também avança na etapa de abertura do CT. Seis brasileiros disputam a repescagem

s seis derrotas e apenas duas vitórias para o Brasil na etapa de abertura do Circuito Mundial de 2017, na Gold Coast australiana, as esperanças do país se voltaram para Adriano de Souza. Apesar da pressão, Mineirinho não sentiu o peso nas costas e mostrou um arsenal de armas para vencer os australianos Bede Durbidge e Josh Kerr na estreia. Mineirinho, campeão mundial de 2015, combinou manobras fortes com aéreos para dominar os rivais em grande estilo. Com a vitória, o paulista do Guarujá se juntou a Gabriel Medina e Jadson André na terceira fase. Medina machucou o joelho direito depois de um aéreo e recebeu atendimento médico no palanque, na área reservada aos atletas, mas ainda não se sabe a gravidade da lesão.

Filipe Toledo, Caio Ibelli, Wiggolly Dantas, Italo Ferreira, Miguel Pupo e Ian Gouveia tropeçaram na primeira fase, contudo, lutam pela sobrevivência na repescagem (segunda fase), que contou com apenas duas baterias (Mikey Wright e Kelly Slater passaram) e será complementada nesta sexta com a participação dos brasileiros.

Um dos mais experientes do Brazilian Storm, Mineirinho cresceu diante dos locais e não os deixou deslanchar na disputa. Quando viu Bede Durbidge na liderança, com 15.44 (8.17 e 7.27) o campeão mundial de 2015 esperou pacientemente pela oportunidade de assumir a ponta. Com uma leitura sofisticada das ondas em Snapper Rocks, Adriano, que já tinha um 7.00, investiu em uma boa direita e conquistou a maior nota da bateria, um 9.17, para mudar o panorama da disputa. Chegou a 16.17 pontos para superar Bede (15.44). O veterano dava sinais de cansaço, depois de perder quase toda a temporada de 2016 para tratar uma delicada lesão na bacia. No fim, tentou tirar o prejuízo em uma direita. Precisava de ao menos um 8.01 para virar, mas a onda não tinha grande potencial, e ele ganhou apenas 6.93 dos juízes.

De volta ao “Circuito dos Sonhos”, Durbidge sofreu múltiplas fraturas em uma bateria do Pipe Masters 2015 e passou o ano ajudando o havaiano John John Florence como treinador, mas está volta à briga pelo caneco entre os tops da elite. Josh Kerr não emplacou os aéreos que vem encantando nas sessões de free surf e segurou a lanterna da disputa, com 11.33. Bede e Kerr lutam voltam a competir pela repescagem.

Medina se machuca, mas domina rivais

Medina não quis saber de zebra na estreia. O paulista de São Sebastião assegurou a liderança logo no início, viu o havaiano Ezekiel Lau assumir a dianteira, mas não esmoreceu e recuperou a ponta em grande estilo, mostrando uma leitura perfeita do mar em Snapper. Consistente, o local de Maresias dispensou um 7.50, ganhou 7.83 e, por último, um 8.67 ao se entocar em um tubo e fechar com uma sequência de manobras fortes e verticais. Wiggolly Dantas espancou as paredes das ondas com um backside afiado, mas ficou dependendo de uma combinação de resultados. Gabriel preocupou em uma queda depois de um aéreo full rotation (variação do giro em 360º), contudo, seguiu firme e somou 16.50, deixando Wiggolly (10.90) e Ezekiel Lau (10.70) em combinação. Ele saiu da água mancando foi direto para a casa se recuperar.

Jadson André reencontra o caminho das vitórias

Agressivo, Jadson se impôs sobre o taitiano Michel Bourez e o americano Conner Coffin do início ao fim para vencer a primeira bateria do ano. O local da vila de Ponta Negra parecia insaciável e não poupou esforços para pegar uma onda atrás da outra. O mar estava difícil, mas o potiguar mostrou uma boa leitura em Snapper Rocks. Jadson teve de tirar leite de pedra e, com as notas 5.93 e 5.53, somou 11.46 pontos para superar Bourez (10.27) e Coffin (9.40), avançando diretamente à terceira fase. Os rivais terão de lutar pela sobrevivência na repescagem (segunda fase).

Filipe Toledo cai diante de Frederico Morais

Cotado ao título na primeira etapa da perna australiana, Filipinho foi surpreendido pelo português Frederico Morais, em uma bateria com o australiano Adrian. Apesar de estreante no Tour, o surfista de Cascais não é uma zebra e já foi responsável por derrubar gigantes como Mick Fanning e Kelly Slater quando competia como convidado. Toledo e Morais fizeram uma dura batalha e se alternaram na liderança. Era evidente que a disputa seria definida no detalhe. No fim, Toledo estava na ponta, com 15.10 pontos. No fim, Frederico usou a prioridade em uma boa direita, Filipinho saiu do caminho para não cometer a interferência. O português ganhou 6.97 e somou 15.70, retomando a dianteira no momento decisivo. Filipinho ainda teve tempo de investir em uma direita em busca do 8.11, encaixou algumas rasgadas e batidas, fechando com um aéreo, porém, os juízes avaliaram que ele merecia apenas 6.53, o que não mudou o panorama. Buchan ficou na lanterna, com 13.43.

Novidade do Brasil, Ian Gouveia cai na estreia

Ian Gouveia entrou na bateria seguinte em uma pedreira contra os australianos Matt Wilkinson, defensor do título na Gold, e Stuart Kennedy, uma das sensações do evento em 2016. Recuperado de uma lesão no quadril, sofrida em Sunset Beach, o pernambucano que veio perpetuar o legado deixado pelo pai, Fábio Gouveia, sentiu a pressão da estreia. Única novidade do esquadrão verde e amarelo nesta temporada na elite, o calouro encontrou dificuldades para selecionar as melhores ondas. O começo foi promissor, porém, Ian acabou caindo de rendimento e terminou em terceiro lugar, com 8.13 pontos. Wilko (13.67) venceu a disputa, e Stu (8.83) ficou em segundo lugar.

Confira as baterias da 1ª fase na Gold Coast:

1: Michel Bourez (TAH) 10.27, Conner Coffin (EUA) 9.40, Jadson André (BRA) 11.46

2: Matt Wilkinson (AUS) 13.67, Stuart Kennedy (AUS) 8.83, Ian Gouveia (BRA) 8.13

3: Kolohe Andino (EUA) 11.33, Kanoa Igarashi (EUA) 3.10, Jack Freestone (AUS) 10.67

4: Gabriel Medina (BRA) 16.50, Wiggolly Dantas (BRA) 10.90, Ezekiel Lau (HAV) 10.70

5: Jordy Smith (AFS) 11.93, Miguel Pupo (BRA) 11.77, Nat Young (EUA) 10.66

6: John John Florence (HAV) 16.83, Connor O’Leary (AUS) 8.20, Mikey Wright (AUS) 13.50

7: Kelly Slater (EUA) 11.20, Mick Fanning (AUS) 13.27, Jeremy Flores (FRA) 13.13

8: Julian Wilson (AUS) 16.80, Caio Ibelli (BRA) 10.90, Leonardo Fioravanti (ITA) 12.07

9: Joel Parkinson (AUS) 16.86, Italo Ferreira (BRA) 11.66, Joan Duru (FRA) 16.40

10: Filipe Toledo (BRA) 15.10, Adrian Buchan (AUS) 13.43, Frederico Morais (PRT) 15.70

11: Adriano de Souza (BRA) 16.17, Josh Kerr (AUS) 15.44, Bede Durbidge (AUS) 11.33

12: Sebastian Zietz (HAV) 12.20, Owen Wright (AUS) 16.83, Ethan Ewing (AUS) 15.27

Confira os duelos da repescagem

1ª bateria: Mikey Wright-AUS 14.17 x Michel Bourez-TAI 13.20
2ª bateria: Kelly Slater-EUA 14.03 x Nat Young-EUA 12.94
3ª bateria: Felipe Toledo-BRA x Ezekiel Law-HAV
4ª bateria: Sebastian Zietz-HAV x Jack Freestone-AUS
5ª bateria: Josh Kerr-AUS x Ian Gouveia-BRA
6ª bateria: Adrian Buchan-AUS x Jeremy Flores-FRA
7ª bateria: Ítalo Ferreira-BRA x Leonardo Fioravanti-ITA
8ª bateria: Caio Ibelli-BRA x Joan Duru-FRA
9ª bateria: Coner Coffin-EUA x Bede Durbidge-AUS
10ª bateria: Stuart Kennedy-AUS x Ethan Ewing-AUS
11ª bateria: Kanoa Igarashi-EUA x Connor O’Leary-AUS
12ª bateria: Wyggolly Dantas-BRA x Miguel Pupo-BRA

(Globo Esporte)

Foto divulgação/Globo Esporte

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